Durante a Operação Indignus, que investiga desvio de recursos do Hospital Padre Zé, foi descoberto, nesta quinta-feira (5), que o padre Egídio de Carvalho mantinha uma propriedade no município de Conde, na Região Metropolitana de João Pessoa, onde criava pelo menos 20 cães da raça Lulu da Pomerânia. Cada um desses animais pode custar até R$ 15 mil reais, com isso a matilha poderia custar aproximadamente R$ 300 mil.
A informação foi divulgada após as incursões da operação, comandada pelo Gaeco do Ministério Público da Paraíba e Polícia Civil. Os cachorros de raça foram encontrados em uma granja de propriedade do sacerdote, localizada no município do Litoral Sul paraibano.
Padre Egídio de Carvalho, que anteriormente ocupava o cargo de diretor do Hospital Padre Zé, é um dos alvos dos mandados de busca e apreensão da operação conduzida pelo Gaeco, que investiga possíveis condutas criminosas relacionadas ao Instituto São José, ao Hospital Padre Zé e à Ação Social Arquidiocesana/ASA.
Além do pároco, outras pessoas ligadas à administração do hospital estão sob investigação, incluindo a diretora administrativa, Jannyne Dantas, e a tesoureira da unidade hospitalar filantrópica, Amanda Duarte.
A Operação Indignus visa apurar os fatos que sugerem a ocorrência de condutas criminosas dentro do Instituto São José, do Hospital Padre Zé e da Ação Social Arquidiocesana/ASA. O caso continua em desenvolvimento, e novos detalhes podem surgir à medida que as investigações avançam.
Defesa
O advogado do Padre Egídio, Sheyner Asfora, em entrevista pela manhã, afirmou que o religioso está à disposição para prestar esclarecimentos, prestar declarações de maneira oficial. “Ele não se encontra foragido. Ele está à disposição de todo o corpo de investigação (…) não tive conhecimento sobre o teor da decisão e isso que farei agora”, afirmou.
Nota do hospital
Em nota, divulgada na manha desta quarta-feira (05), a nova direção do Hospital disse que acompanha todo o processo que corre sobre segredo de Justiça, colaborando de maneira irrestrita com as investigações.
“Deve-se destacar que a atual gestão, que assumiu no último dia 25, tem contribuído com toda a investigação e que tão logo sejam concluídas irá se pronunciar no que toca ao Hospital Padre Zé. Ressalta-se que os investigados na operação “Indignus” não fazem mais parte da diretoria da instituição”, afirmou.
Na nota ressaltou ainda que, no momento, o esforço é para manutenção dos serviços prestados para a população, cumprindo com todas obrigações administrativas que conta com a ajuda de todos que acreditam na instituição.
Pedido da nova direção
Esta semana, a nova diretoria do Hospital Padre Zé, em João Pessoa, solicitou ao Ministério Público da Paraíba uma auditoria “ampla e irrestrita” em todas as suas contas, contratos, convênios e projetos instituição.
O Hospital Padre Zé revelou que está passando por “grave problemas financeiros”, mas que os serviços não serão suspensos.
A nova diretoria do Hospital Padre Zé, após avaliar a situação operacional, funcional, contábil e financeira, constatou que a unidade encontra-se com inúmeras dívidas que comprometem a sua funcionalidade.
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